As fortes chuvas registradas no fim de semana em diversas cidades paraibanas provocaram alagamentos, danos estruturais e transtornos à população, especialmente em Patos, no Sertão. Ruas ficaram inundadas, estabelecimentos comerciais e residências foram invadidos pela água, sobretudo em bairros localizados próximos a áreas historicamente alagáveis, como na área da antiga Praça dos Pomobos, Guedes Shoping, Rua JK, no bairro Brasília e nas residencias do bairro Dom Bosco, às margens do Canal do Frango.
Apesar dos prejuízos, o volume significativo de precipitações também reacendeu a esperança de um ano hídrico positivo. Em apenas 48 horas, a Barragem da Farinha, principal manancial que abastece Patos, saiu de cerca de 2% da sua capacidade para mais de 57%, conforme dados da Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba (Aesa). Até o final da tarde desta segunda-feira (02), medições feitas por moradores apontavam que faltava menos de um metro para o reservatório atingir o nível de transbordamento.
Os riachos que alimentam a Barragem da Farinha e o Açude Jatobá seguem com bom volume de água. O Jatobá, inclusive, já registrou elevação superior a um metro na régua de medição. Na região, a barragem do Caudeloso, localizada na comunidade Bananeiras, no município de Areia de Baraúna, já está sangrando, contribuindo diretamente para o aumento do volume da Farinha.
De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a previsão indica continuidade das chuvas nas próximas horas em várias regiões da Paraíba, o que mantém a expectativa de novos aportes hídricos, mas também acende o alerta para possíveis novos transtornos.
Estragos e transtornos
Em Patos, os alagamentos foram intensificados pelo entupimento de bueiros, sarjetas e bocas de lobo, obstruídos por lixo descartado de forma irregular. Sacolas deixadas nas calçadas acabam sendo arrastadas pela força da água, bloqueando os pontos de escoamento e provocando o acúmulo nas vias.
Residências e prédios públicos também registraram problemas. No Hospital Regional de Patos houve vazamentos atribuídos, em muitos casos, ao acúmulo de sujeira nas calhas. Moradores relatam dificuldade para encontrar profissionais para reparos, diante do aumento expressivo da demanda nos últimos dias.
A força dos ventos também causou prejuízos. Parte da estrutura metálica do telhado da empresa Engarrafamento Coroa foi derrubada, atingindo e danificando um veículo. O Corpo de Bombeiros informou que os volumes de chuva não são comuns para o período e que as próprias instalações do 4º Batalhão de Bombeiro Militar (4º BBM), com sede em Patos, também foram afetadas.
Nas rodovias estaduais, o Departamento de Estradas de Rodagem da Paraíba (DER-PB) registrou ocorrências em vários trechos. Na PB-262, na Serra do Teixeira, houve queda de barreiras e pedras sobre a pista. Equipes já atuam nos pontos afetados para garantir a segurança dos motoristas.
PERIGO
O 4º BBM também demonstrou preocupação com o comportamento de banhistas que têm se arriscado em rios e riachos com volume elevado. Na Ponte do São Sebastião, um vídeo que circula nas redes sociais mostra jovens pulando de ponta cabeça no rio, em meio à correnteza. Em Cacimba de Areia, banhistas foram flagrados ingerindo bebida alcoólica enquanto tomavam banho no Rio Farinha, que apresenta forte correnteza e volume considerável.
As autoridades reforçam o apelo para que a população evite esse tipo de prática, alertando para o risco de afogamentos e acidentes graves, especialmente em áreas onde não há monitoramento ou conhecimento da profundidade e das condições do leito do rio.
Prevenção e conscientização
Diante do cenário, cresce a necessidade de ações preventivas por parte do poder público. A Defesa Civil Municipal é chamada a intensificar o monitoramento das áreas de risco, alertar moradores sobre possíveis deslizamentos e inundações, além de estruturar equipes para atendimento emergencial às famílias afetadas.
Também se destaca a importância de campanhas permanentes de conscientização para evitar o descarte irregular de lixo e entulhos, principalmente em áreas próximas a rios, córregos e galerias pluviais. A combinação de chuvas intensas com infraestrutura comprometida e falta de colaboração da população amplia os impactos e transforma um fenômeno natural em um problema urbano de grandes proporções.
Enquanto a água que causa transtornos nas ruas também enche os reservatórios e renova a esperança no Sertão, o momento exige prudência, responsabilidade coletiva e atuação preventiva das autoridades para minimizar riscos e prejuízos.





0 Comentários