Encerrada em 3 de abril de 2026, a janela partidária permitiu a deputados federais e estaduais trocarem de legenda sem perder o mandato, num movimento pensado para reorganizar as forças antes da eleição de 4 de outubro. Na Paraíba, o efeito foi imediato: a Assembleia Legislativa virou o principal palco do troca-troca, enquanto a bancada federal teve menos mudanças, porém com alto impacto político.
No plano federal, as trocas mais relevantes foram a saída de Gervásio Maia do PSB para o PCdoB e a migração de Wellington Roberto do PL para o PSD, já tratada por ele como consolidada. Fora da regra da janela, mas com enorme peso no tabuleiro paraibano, o senador Efraim Filho deixou o União Brasil, filiou-se ao PL e assumiu o comando da legenda no estado, reorganizando o campo da direita para a disputa majoritária.
Na ALPB, o movimento foi mais intenso. Entre as mudanças confirmadas ou publicamente assumidas até 6 de abril, estão: Felipe Leitão, do Republicanos para o MDB; George Morais, do União Brasil para o PL; Caio Roberto, do PL para o MDB; Júnior Araújo, do PSB para o PP; Eduardo Carneiro, do Solidariedade para o PP; Michel Henrique, do Republicanos para o PP; Nilson Lacerda, do União Brasil para o Republicanos; Dr. Romualdo, do MDB para o PCdoB; Camila Toscano, do PSDB para o MDB; Tovar Correia Lima, do PSDB para o MDB; Fábio Ramalho, que anunciou filiação ao PSD após deixar o PSDB; João Gonçalves, que foi para o PP; e Hervázio Bezerra, que voltou ao MDB.
O MDB foi um dos partidos que mais cresceram politicamente porque soube transformar a janela em estratégia de grupo. A legenda já havia se reposicionado com a volta de Cícero Lucena, lançando-se como abrigo da oposição liderada por Cícero e Veneziano. Durante a janela, o partido atraiu nomes competitivos para a proporcional, como Felipe Leitão, Caio Roberto e Camila Toscano, além de ter recebido o compromisso público de Tovar e Hervázio. Na prática, o MDB deixou de ser apenas uma sigla tradicional e virou um polo real de reorganização oposicionista.
O Progressistas (PP) também saiu em alta. O partido foi agressivo na montagem da nominata, atraiu Júnior Araújo, Eduardo Carneiro, Michel Henrique e também recebeu a filiação de Polyanna Werton, além de ganhar fôlego extra com a posse de Lucas Ribeiro no governo estadual. Não por acaso, dirigentes e deputados da legenda passaram a projetar o PP como futura maior bancada da Assembleia. O crescimento do PP não foi só numérico: foi organizacional, porque combinou máquina estadual, comando partidário e capacidade de recrutamento.
O Republicanos teve perdas pontuais, mas não pode ser tratado como derrotado. O partido perdeu Felipe Leitão e Michel Henrique, porém absorveu Nilson Lacerda e, sobretudo, manteve o que talvez seja mais valioso: estrutura, comando e espaços de poder. Segundo Adriano Galdino, a legenda preservou seus espaços no governo e segue com a maior bancada federal e estadual da Paraíba. Ou seja: não foi o partido que mais cresceu na janela, mas continuou sendo o mais sólido institucionalmente.
O PSD também merece destaque. Embora não tenha sido o maior “captador” de deputados estaduais, o partido reforçou sua musculatura com a filiação de Jhony Bezerra, com o anúncio de Fábio Ramalho e com a chegada encaminhada de Wellington Roberto. Sob o comando de Pedro Cunha Lima, o PSD apareceu menos como sigla de bancada e mais como plataforma de reorganização de um setor do centro e da centro-direita paraibana.
O PL, por sua vez, teve um saldo misto. Politicamente, ganhou muito com a filiação de Efraim Filho, que passou a presidir o partido, e com a entrada de George Morais, consolidando o PL como principal endereço da direita bolsonarista na Paraíba. Mas, proporcionalmente, o partido perdeu quadros importantes, como Wellington Roberto e Caio Roberto. Em resumo: o PL saiu mais forte para a disputa majoritária e para o discurso político, mas não necessariamente maior em bancada.
Na esquerda, o PCdoB — dentro da federação com PT e PV — teve um ganho qualitativo relevante ao receber Gervásio Maia e Dr. Romualdo. Isso deu à federação mais densidade eleitoral, embora o campo ainda mostrasse divergências sobre seu posicionamento na disputa para o governo estadual.
Quem saiu claramente enfraquecido foi o PSDB. O partido já vinha em crise nacional e, na Paraíba, viu seus principais nomes na Assembleia deixarem a legenda ou anunciarem saída. A debandada de quadros como Camila Toscano, Tovar Correia Lima e Fábio Ramalho simboliza um esvaziamento que não é apenas eleitoral, mas também de identidade e comando. Hoje, o PSDB parece menos um ator competitivo e mais uma sigla em processo de desmontagem.
O União Brasil também terminou a janela menor. Perdeu Efraim Filho para o PL, viu George Morais sair e precisou reorganizar sua direção sob o comando de Damião Feliciano. A legenda ainda preserva alguma estrutura e tenta se reposicionar ao lado do projeto de Lucas Ribeiro, mas o fato é que perdeu protagonismo e massa política no momento mais decisivo da pré-campanha.
O PSB não desmoronou, mas saiu pressionado. Perdeu Gervásio Maia e Júnior Araújo, conviveu com a perspectiva de saída de Hervázio e passou os últimos dias da janela correndo para reorganizar suas nominatas. O partido ainda tem o peso do grupo governista e segue montando chapas, mas terminou o período mais defensivo do que ofensivo.
Saldo final da janela partidária na Paraíba: o MDB e o PP foram os grandes vencedores em expansão e capacidade de atração; o Republicanos preservou sua hegemonia institucional; o PSD cresceu como polo organizador; o PL ganhou centralidade política, mas com perdas proporcionais; e os mais abatidos foram PSDB, União Brasil e, em menor escala, PSB. O mapa partidário paraibano saiu da janela menos pulverizado e mais polarizado entre blocos que já se movem pensando diretamente em outubro de 2026.
Por Francisco Anderson





0 Comentários